Cranioestenose

Conheça tudo sobre Cranioestenose

O que é a cranioestenose? Para para que servem as suturas? Quando operar? Quando não operar? Aprenda tudo sobre esse tema e tire suas dúvidas com o texto abaixo.

Para entender o que é cranioestenose, primeiro imagine o seguinte: o bebê quando nasce por parto normal precisa passar por um canal estreito (vaginal), e após seu nascimento o cérebro precisa crescer e se desenvolver para chegar ao tamanho adulto. Só que o crânio é feito de osso, e o osso não tem flexibilidade, não dobra, nem aumenta ou diminui de tamanho. Como passar a cabeça do bebê no canal de parto e depois como dar espaço para o cérebro crescer?

A natureza é sábia... O crânio na verdade não é um bloco único de osso. Ele é formado por "bloquinhos" menores de osso que são unidos entre si por uma espécie de tecido fibroso chamado de suturas. Algumas dessas suturas podemos sentir passando a mão na cabeça do bebê, como um espaço entre um osso e outro. Existem ainda 2 "intervalos" maiores que formam as fontanelas anterior e posterior, chamadas popularmente de "moleira".

 

Para que afinal servem as suturas cranianas? Por que isso é importante para entender a cranioestenose?

As suturas cranianas estão presentes para ajudar na modelagem da cabeça durante o parto e também da cabeça em crescimento, conforme explicamos. Elas funcionam como "áreas de expansão" que permitem que o cérebro possa crescer dentro do crânio. As suturas normalmente desaparecem, colando um “bloco” de osso a outro, após o término do crescimento do cérebro. No entanto, em alguns casos elas se juntam antes do tempo, provocando as alterações no formato da cabeça!

As principais suturas cranianas são: a sutura sagital, as suturas coronais, a sutura metópica e as suturas lambdóides. Veja a figura abaixo:

O que é cranioestenose?

Entendendo o que são as suturas cranianas fica fácil explicar o que é a cranioestenose... A cranioestenose ou craniossinostose é a doença onde ocorre a fusão (junção) prematura de uma ou mais suturas cranianas.

O que isso quer dizer??? Simples, isso quer dizer que essas suturas (que tem um tempo certo para fechar – veja na tabela abaixo) se fecham antes do tempo. Se apenas uma sutura se fechar temos uma cranioestenose simples, se mais de uma sutura se fechar ao mesmo tempo chamamos de cranioestenose complexa. Algumas vezes as cranioestenoses podem fechar a “moleira” antes do tempo!

  • Tipo de Sutura
  • Sutura Metópica
  • Sutura Coronal, Sagital e Lambdóide
  • Fontanela Anterior
  • Fontanela Posterior
  • Tempo de Fechamento
  • até os 9 meses de idade
  • a partir de 2 anos até a idade adulta
  • 9 a 18 meses de idade
  • 3 a 6 meses de idade

 

Neste texto vou falar bastante sobre as cranioestenoses simples, inclusive suas opções de tratamento cirúrgico. Caso queira saber mais sobre cranioestenoses complexas ou cranioestenoses relacionadas a síndromes genéticas (cranioestenoses sindrômicas) clique aqui.

 

Quais são as causas de cranioestenose?

Toda mãe que vem ao meu consultório com um bebê com cranioestenose quer saber o porquê dessa doença... Mas a verdade é que o mecanismo que causa o fechamento prematuro da sutura craniana ainda não foi determinado.

Existe uma teoria não comprovada, mas bem difundida na literatura médica que diz que a dificuldade da movimentação da cabeça do bebê dentro do útero poderia causar a fusão de uma ou mais suturas cranianas. A favor dessa hipótese temos o fato de haver uma maior ocorrência de cranioestenoses em pacientes gêmeos, onde teoricamente o espaço para movimentação dentro do útero é menor. Outros fatores que já foram relacionados a cranioestenoses são: uso de valproato pela mãe na gestação, oligodrâmnio (pouco líquido na bolsa amniótica durante a gestação) e restrição ao crescimento intrauterino. 

Entretanto, em cranioestenoses não sindrômicas (não relacionadas a síndromes genéticas) a maior parte das vezes não se identifica nenhuma causa, sendo chamada de cranioestenose idiopática. Algumas cranioestenoses tem causas genéticas bem definidas: como por exemplo as que ocorrem na Síndrome de Crouzon, Pfeiffer ou de Apert. Isso quer dizer que esses bebês tem uma alteração nos seus genes que é a responsável por causar a cranioestenose, que geralmente é complexa (costuma ter mais de uma sutura acometida).

A maioria das craniossinostose determinada geneticamente é caracterizada por herança autossômica dominante, mas cerca de metade dos casos são responsáveis ​​por novas mutações. Além das implicações genéticas, é importante reconhecer os casos com causa genética porque são mais propensos a estar associados a cranioestenoses complexas, com fechamento de múltiplas suturas e complicações extracranianas. Os genes mais comumente mutados na cranioestenose são FGFR2, FGFR3, TWIST1 e EFNB1.
 

Algumas sinostoses clinicamente não sindrômicas (geralmente afetando a sutura coronal) podem ser causadas por mutações em um único gene, particularmente a mutação Pro250Arg em FGFR3. Contudo, de fato em uma cranioestenose simples raramente temos um componente genético, mas o médico neurocirurgião que atender seu bebê algumas vezes pode sugerir a avaliação com um médico geneticista, a depender de outros achados no exame físico e neurológico do paciente.

 

Como fazer o diagnóstico da cranioestenose? Quais os sintomas da cranioestenose?

A apresentação clínica mais comum é a queixa de formato incomum da cabeça no primeiro ano de vida. Pode se perceber uma cabeça longa e estreita (escafocefalia/dolicocefalia), triangular na frente (trigonocefalia), larga e achatada (braquicefalia) ou torta (plagiocefalia). Aos pais perguntamos sempre quando o formato diferente da cabeça foi percebido e o quanto ele vem melhorando/piorando. Outras informações como exposições pré-natais (por exemplo, ingestão de valproato para epilepsia materna), evidência de restrição intrauterina fetal e história de nascimento. Trabalho de parto obstruído e parto assistido ou cesárea são frequentes, possivelmente em consequência da craniossinostose. Na avaliação das consequências funcionais da condição, as informações clínicas mais importantes dizem respeito às vias aéreas, alimentação, proteção ocular e aumento da pressão intracraniana (PIC). Algumas alterações são mais frequentes em cranioestenoses complexas, como: dificuldade respiratória, engasgo ou vômito na alimentação, falha das pálpebras em cobrir os olhos durante o sono ou irritabilidade.

O diagnóstico de uma cranioestenose, na grande maioria dos casos, é inicialmente suspeitado pelos próprios pais ou pelo pediatra que acompanha o bebê ao perceber então um "estranho" formato no crânio. Sempre que houver uma suspeita o especialista, neurocirurgião pediátrico, deve ser consultado. Gerlamente costumo pedir aos pediatras que me encaminhem a criança para avaliação sem solicitar nenhum exame. Isso porque muitas vezes a cranioestenose é diagnosticada pelo especialista no exame físico. O exame padrão-ouro para o diagnóstico, a tomografia de crânio com reconstrução 3D, requer grande dose de radiação (que deve ser evitada em crianças). Por este motivo reservo apenas para casos que necessitem ser confirmados ou planejamento cirúrgico. Veja abaixo uma tomografia com reconstrução 3D normal, onde todas as suturas cranianas estão abertas e de fácil visualização...

Um exame é fator de confusão frequente entre pais e pediatras: o ultrassom. Isto porque é muito frequente chegar ao meu consultório pais que realizarem um ultrassom transfontanela do bebê como exame para descartar a cranioestenose solicitado por um médico não especialista. Embora em alguns casos a fonatenela ("moleira") possa se fechar precocemente na cranioestenose isso não é regra, e o ultrassom transfontanela normal NÃO exclui o diagnóstico de cranioestenose

 Já um outro exame de ultrassom, o ultrassom do crânio com a finalidade de visualizar as suturas cranianas (USG de suturas cranianas) já foi demonstrado em diversos estudos como sendo um ótimo exame inicial para descartar a cranioestenose, sendo subutilizado neste contexto e desconhecido por muitos profissionais que não trabalham com crianças. Oferece excelente imagem de superfície estruturas com potencial para confirmar ou excluir a fusão das suturas do crânio (cranioestenose), evitando a exposição a radiação ionizante nos bebês. A "lacuna" normal de uma sutura aberta ou obliteração na craniossinostose pode ser claramente demonstrado com USG de crianças com menos de 12 meses de idade em cerca de 99% dos casos. 

 

Duas considerações são importantes: 

1- O USG classifica a sutura como: aberta, fechada ou indeterminada. Embora a sutura aberta avaliada por um radiologista com experiência neste exame praticamente exclua o diagnóstico de cranioestenose, se a sutura está fechada ou não pode ser determinada, este bebê deve ser imediatamente encaminhado ao neurocirurgião pediátrico para continuar a avaliação adequada.

2- O USG é um exame que depende muito da capacidade técnica e do treinamento do médico que o executa. Sendo assim, um médico sem experiência neste exame pode não conseguir visualizar as suturas e dar um diagnóstico adequado. Por este motivo, é importante quando a suspeita de cranioestenose é alta que a criança seja encaminhada para avaliação do neurocirurgião pediátrico mesmo com exame de USG demonstrando "suturas normais e abertas". 

Após o ultrassom, o ideal é que a tomografia de crânio seja indicada pelo neurocirurgião pediátrico na avaliação da criança, se ele realmente acreditar que a suspeita de cranioestenose é verdadeira. A tomografia permite uma excelente análise principalmente nos casos em que o exame físico apresenta alterações muito sutis ou ainda quando há suspeita de fechamento de mais de uma sutura. Conforme já foi dito, ela é o "padrão ouro", ou seja, o exame definitivo para confirmar ou descartar o diagnóstico desta doença. 

 

Tipos de cranioestenose

As cranioestenoses são nomeadas segundo a sutura craniana acometida que fechou. Citaremos abaixo as cranioestenoses simples (uma sutura acometida) mais comuns:

 

ESCAFOCEFALIA – SUTURA SAGITAL

A escafocefalia, também chamada de dolicocefalia, é a cranioestenose mais frequente, mais comum em meninos que em meninas. A frequência é em torno de 1 para 2000 bebês nascidos vivos em estatísticas dos EUA.

Ela corresponde ao fechamento precoce da sutura sagital. Em alguns casos, a “moleira” estará fechada quando essa sutura for acometida e a cabeça do bebê parece que está maior no sentido da frente para trás (veja figura).

 

TRIGONOCEFALIA – SUTURA METÓPICA

A trigonocefalia corresponde ao fechamento precoce da sutura metópica. A “testa” do bebê faz uma “crista”, como no casco de um barco, levando a uma forma triangular característica desta doença (veja figura). Por este motivo muitos dizem que a cabeça do bebê fica em forma de "quilha".

A trigonocefalia pode ocorrer por alguns fatores já conhecidos, como quando a mamãe usa um tipo de medicação anti-epiléptica durante a gestação chamada ácido valpróico. Lembramos que o ácido valpróico está associado a uma série de malformações no bebê e alguns estudos inclusive o correlacionam com aumento da chance de autismo nas crianças.

      

 

PLAGIOCEFALIA – SUTURA CORONAL OU LAMBDÓIDE UNILATERAL

A plagiocefalia quando corresponde ao fechamento precoce da sutura coronal unilateral é chamada de plagiocefalia anterior, e quando a sutura fechada é a lambdóide unilateral é chamada de plagiocefalia posterior. É caracterizada por uma assimetria do crânio e da face, ou seja, a cabeça fica “torta”! A plagiocefalia posterior verdadeira (cranioestenose) é extremamente rara, e comumente as assimetrias cranianas dessa região são na verdade “plagiocefalias posicionais” que explicarei mais adiante.

  

 

BRAQUICEFALIA – SUTURA CORONAL BILATERAL

A braquicefalia é uma cranioestenose um pouco mais complexa. Ela corresponde ao fechamento de ambas as suturas coronais, levando a um “achatamento” da "testa" da criança, e a cabeça cresce mais no sentido lateral (veja figura).

  

 

Problemas relacionados a cranioestenose: a cranioestenose deixa sequelas?

Muito se discute em relação às consequências neurológicas da cranioestenose simples, aquela causada pelo fechamento de uma única sutura craniana. Alguns estudos mostram que embora as crianças tenham índices normais de inteligência, até 50% das crianças podem ter algum grau (mesmo que leve) de dificuldade de aprendizado. Há controvérsias se estas alterações leves seriam ou não revertidas com a cirurgia. 

A maior preocupação que um neurocirurgião tem com uma cranioestenose que não foi tratada cirurgicamente é com o potencial que a criança tem de desenvolver uma hipertensão intracraniana crônica. O que é isso? É simples: o cérebro fica “contido” dentro da caixa craniana (crânio) que é formada de osso e não é nada flexível. Se essa “caixa” é pequena demais para o cérebro ele fica apertado e sua pressão aumenta: temos a hipertensão intracraniana! Como você pode imaginar, o problema é muito mais frequente quando temos aquelas cranioestenoses complexas, onde várias suturas estão fechadas e o crânio tem mais dificuldade de crescer. Esse tipo de problema quando temos apenas uma sutura fechada é mais raro, mas as estatísticas mostram que pode ocorrer em cerca de 15% dos casos. 

Os maiores problemas da hipertensão intracraniana crônica são: dores de cabeça frequentes, perda visual progressiva e dificuldades de aprendizado. O neurocirurgião avalia a criança através de seu exame físico, história e exames de imagem para detectar se a criança pode estar sofrendo desse problema. Nesses casos a correção da cranioestenose passa a ter uma urgência de correção muito maior.

A maioria das crianças diagnosticadas e tratadas precocemente de cranioestenoses simples terão bons resultados estéticos e sem problemas relevantes no desenvolvimento. Nas cranioestenoses complexas, muitas vezes as alterações do desenvolvimento são causadas muito mais pela síndrome genética de base do que pela própria cranioestenose, porém esta muito frequentemente pode estar relacionada ao aumento da pressão intracraniana conforme foi dito.

 

Quando operar ou não operar uma cranioestenose? Por que é preciso fazer a cirurgia para correção de cranioestenose?

Apesar da discussão em torno deste tema, o pensamento atual é que a maioria das crianças precisará de tratamento cirúrgico. A cirurgia tem o objetivo de restabelecer a forma e o tamanho adequado do crânio, permitindo adequado crescimento cerebral e evitando problemas futuros.

Além do problema estético, que ocorrerá se o cérebro crescer por lugares não naturais, gerando assimetria no formato da cabeça, é difícil dizer o quanto ele pode ser prejudicado neste processo. Hoje com o tanto que se fala sobre "bullying", imagine você o problema que seu filho pode ter se a cabeça dele for alongada, achatada ou torta de forma bastante evidente. Mesmo que não haja problemas neurológicos graves, os problemas e “marcas” sociais que esse trauma causa podem ser significativos. As crianças são afetadas de forma diferente por esse "bullying", havendo relatos de crianças que não foram operadas e que, embora não tenham problemas neurológicos graves, não querem mais sair de casa ou frequentar a escola.

Outra situação que merece atenção durante a cirurgia é quantificar o aumento da pressão intracraniana (PIC). O fechamento de uma única sutura no crânio está associado à aumento da PIC em até 15-20% dos casos, o fechamento de múltiplas suturas (cranioestenoses complexas) causa este aumento em 30-40% dos casos. Estudos também citaram o desenvolvimento de PIC elevada após o reparo cirúrgico de cranioestenoses simples, mesmo quando hipertensão intracraniana não estava presente no pré-operatório, em até 5% das crianças! Não há até o momento formas de prevermos se uma determinada criança é mais propensa a estar neste grupo que irá apresentar aumento da PIC. De forma rotineira, faço ao início e final da cirurgia a medição da PIC das crianças, pois esta é uma das minhas maiores preocupações neurológicas com estes casos. Além disso, costumamos acompanhar estas crianças até a idade adulta, quando o crânio pára de crescer, para termos certeza que não teremos este tipo de problema. 

Em alguns casos quando a alteração no formato da cabeça é mínima podemos considerar o tratamento conservador. Nestes casos muito bem selecionados os pais devem discutir o acompanhamento com o neurocirurgião e estarem cientes de todos os riscos/benefícios. 

 

Como é a cirurgia de tratamento da cranioestenose? Quais os riscos da cirurgia?

Atualmente existem várias técnicas, que variam de acordo com a experiência e preferência do cirurgião, a idade que a criança foi submetida a cirurgia e a sutura que está com problema. A idéia do tratamento é liberar a sutura que está “colada” e corrigir a deformidade já estabelecida.

As técnicas clássicas são as mais utilizadas e consagradas. Elas consistem em diversas osteotomias, ou seja, o cirurgião faz muitos cortes no osso em diversas direções: espirais (técnica Nautilus), margaridas, e linhas retas ou curvas. O objetivo e permitir uma nova “modelagem” intra-operatória do crânio do bebê. Depois que o neurocirurgião coloca o crânio na forma desejada ele fixa os fragmentos ósseos, geralmente com placas e parafusos absorvíveis. 

Essas cirurgias têm amplo descolamento do couro cabeludo e mobilização de segmentos ósseos do crânio, portanto, apresentam como principal risco de complicação a hemorragia. Como são crianças muito jovens (e pequenas), o sangramento durante a cirurgia pode tornar necessária muito frequentemente uma transfusão de sangue.

Nas técnicas clássicas, os bebês em geral já saem da cirurgia com um formato de crânio diferente. Porém não é necessário muitas vezes fazer 100% da correção das deformidades durante a cirurgia. Isso porque com a liberação da sutura que estava “presa”, o crânio crescerá em uma forma mais saudável dali em diante, sendo assim, com o passar do tempo ele também se "remodela" em parte sozinho.

Nas técnicas clássicas o cirurgião pode usar de diversos recursos cirúrgicos para corrigir a deformidade, modificando o modo de fazer os "cortes" no osso e reconstruir o crânio. Existem muitas formas técnicas de cortar e remontar o crânio para cada tipo de cranioestenose, e o uso de cada uma vai de acordo com a experiência do cirurgião, idade da criança, grau de deformidade primária e secundária, bem como é claro o tipo de cranioestenose. 

Existem ainda outras técnicas que remodelam o crânio de forma diferente. Uma delas, frequentemente usada pela nossa equipe para casos selecionados é o uso de "molas" (tecnicamente chamados de indutores de transformação estrutural - ITE). Nesta cirurgia são feitos cortes estratégicos no crânio de acordo com um software de planejamento 3D e as molas são posicionadas para que o crânio ganhe mais espaço e aumente no sentido desejado pelo neurocirurgião pediátrico. Nesta cirurgia, a criança sai praticamente com o mesmo formato do crânio que entrou, e as molas vão induzindo o remodelamento natural do crânio com o passar dos meses. Em geral o tempo de permanência das molas no crânio varia de 3 a 12 meses em média. Esta técnica costuma ser reservada para crianças mais velhas e cranioestenoses complexas com fechamento simultâneo de múltiplas suturas do crânio (para saber mais sobre cranioestenoses complexas clique aqui)

cranioestenose tratada com molas

A cirurgia da cranioestenose tem vários pontos de atenção, sendo necessário ter relativa experiência para ter sucesso e evitar complicações. É comum que nas cirurgias mais complexas, que envolvem remodelamentos e avanços que abrangem a face, a cirurgia seja realizada em equipe multiprofissional, que abrange neurocirurgiões pediátricos e cirurgiões plásticos especialistas cranio-faciais. Sou particularmente a favor de equipes multidisciplinares pois cada equipe leva o melhor de sua experiência e formação para garantir o bem estar da criança e o sucesso neurológico e estético da cirurgia. 

 

Qual é a idade ideal para a cirurgia? Existe idade limite para cirurgia?

A cirurgia para correção de uma cranioestenose pode ser realizada em qualquer idade! O que varia são as técnicas cirúrgicas, que devem ser adequadas a idade da criança. No entanto, é bem descrito na literatura médica que a idade ideal costuma ser com menos de 1 ano de idade para a maior parte dos tipos de cranioestenose. Costumo dizer aos familiares que em geral quanto mais novo melhor. O primeiro ano de vida é o período mais favorável para cirurgias, pelos seguintes motivos:

1- Nessa fase o crânio é mais mole e mais fácil de ser modelado – o cirurgião pode remodelar o desenho de um crânio deformado mais facilmente.

2- No primeiro ano é uma das fases de maior crescimento e expansão cerebral – então é nessa fase que convém que ele esteja livre para crescer e se desenvolver conforme sua necessidade.

3- Os defeitos cranianos (ranhuras/espaços) causados pelos diversos cortes do osso fecharão muito mais facilmente sozinhos em crianças menores.

4- Quanto mais uma criança crescer com uma sutura fechada, mais as outras áreas do crânio vão se deformar – em uma criança maior ou um adulto será muito mais difícil mudar o formato de várias áreas do crânio e a cirurgia será maior e mais traumática.

5- A criança pequena quando mais velha não se lembrará da cirurgia.

 

As desvantagens da cirurgia na criança pequena incluem:

1. Crianças menores toleram menos os sangramentos da cirurgia – necessitam frequentemente de transfusões e são mais propensas a terem quedas de pressão devido aos sangramentos.

2. Crianças menores tem um risco maior de infecções por seu sistema imune não estar completamente maduro.

3. Crianças menores tem maior propensão a terem complicações durante a cirurgia/anestesia como hipotermia – obviamente o anestesista e o cirurgião tentam minimizar estes riscos, mas eles existem.

De uma forma geral, é necessário avaliar cada paciente e cada deformidade craniana isoladamente e determinar o melhor período e técnica a ser utilizada conforme cada caso. Em geral não operamos cranioestenoses em crianças menores de 3-4 meses. Vale lembrar que seu neurocirurgião pediátrico pode muitas vezes trabalhar em conjunto com outros profissionais cirurgiões quando a cirurgia inclui grande deformidade estética, tais como cirurgiões plásticos/cirurgiões crânio-faciais. Também é importante que os pais saibam que determinadas cranioestenoses podem ser corrigidas em várias etapas e necessitar de mais de uma cirurgia.

 

Como é a cicatriz da cranioestenose? É preciso raspar todo o cabelo do bebê?

Esta é uma pergunta cuja resposta depende diretamente da técnica do cirurgião. Existem cirurgiões que preferem cicatrizes retas, arquadas, retas + semiarcos, zigue-zague, enfim... Em geral isso depende da sua formação e convicção técnica, pois não existe certo e errado neste sentido. Da mesma forma raspar ou tão uma quantidade maior ou menor de cabelo também vai depender do cirurgião. 

Particulamente tenho preferência pela incisão em zigue-zague suave ou "lazy s", e costumo retirar o mínimo necessário de cabelo, apenas para evitar que os fios se enrosquem nos pontos cirúrgicos. A criança costuma ter mais desconforto nos primeiros 2 dias da cirurgia, que é tratado com uso de analgésicos no hospital. 

 

Você já ouviu falar do tratamento da cranioestenose com capacete?

Frequentemente as mamães chegam ao consultório perguntando pelo tratamento com “capacete” (tecnicamente chamada de órtese craniana) que evitaria a cirurgia. Para quais casos ele está indicado?

Em primeiro lugar: nenhuma cranioestenose verdadeira deve a princípio ser tratada primariamente com capacete!!! Mas por quê? Porque o capacete não vai corrigir a sutura já fechada, isso só pode ser feito com a cirurgia, portanto não vai corrigir a deformidade da cabeça da criança. Vale ressaltar que em alguns casos selecionados o neurocirurgião pode optar em indicar a órtese craniana para ajudar o remodelamento pós-operatório, dependendo da técnica cirúrgica utilizada. No entanto, não é rotina seu uso na técnica clássica e ela nunca é utilizada em conjunto com as molas.

Entretanto, existe uma situação chamada de plagiocefalia posicional. Ela corresponde a um achatamento da região de trás da cabeça, ligeiramente mais comum à direita, mas ocasionalmente pode acometer ambos os lados. Esse achatamento craniano decorre de uma pressão contínua sobre o crânio, e se tornou mais frequente após o aconselhamento, em 1992, por parte da Associação Americana de Pediatria para que o bebê fosse posicionado de barriga para cima na hora de dormir, como prevenção da síndrome de morte súbita do recém-nascido.

A plagiocefalia posicional faz diagnóstico diferencial com a plagiocefalia posterior verdadeira, na qual uma sutura lambdóide está fechada, como já explicamos anteriormente. Só que, no caso da posicional, apesar da forma alterada, todas as suturas cranianas se encontram abertas. Por isso, nesses casos o tratamento geralmente é clínico, com mudanças posturais no berço e fisioterapia. Em alguns casos de deformidades cranianas mais graves ou quando não ocorre melhora significativa com o tratamento clínico, pode-se lançar mão do uso de “capacetes”, que vão ajudar no remodelamento craniano. Em geral, assimetrias mais graves ou sem correção após cerca de 2 meses com medidas clínicas consideramos o uso do capacete. Para saber mais sobre assimetrias posicionais clique aqui

 

Quando procurar um neurocirurgião?

Sempre procure um neurocirurgião pediátrico o mais breve possível quando houver qualquer alteração no formato da cabeça de seu filho e a suspeita de cranioestenose. Isso permitirá o diagnóstico e tratamento precoces com melhor resultado estético. 

 

 

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* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.
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