Túnel do Carpo

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O que é o túnel do carpo?

Em primeiro lugar você sabe o que é carpo? O carpo é a porção da mão que articula com os ossos do antebraço e com os ossos do metacarpo (que irão formar os dedos), que genericamente corresponde ao punho e uma parte do início da mão.

O túnel do carpo como o próprio nome diz é um “túnel” na região do punho, por onde passa um importante nervo para a nossa mão, o nervo mediano. As paredes posterior e lateral do túnel do carpo são formadas pelos ossos do carpo e as paredes medial e anterior, por uma estrutura fibrosa, o retináculo dos flexores ou ligamento transverso do carpo.

 

Ótimo, mas o que significa ter uma síndrome relacionada a este túnel do carpo?

Na medicina chamamos de “síndrome” um conjunto de sinais e sintomas relacionados. No caso da Síndrome do túnel do carpo, este “túnel” que já explicamos fica muito estreito, e começa a apertar quem está passando no meio dele. Além do nervo mediano, as outras estruturas passam neste túnel são nove tendões: quatro tendões do músculo flexor superficial dos dedos, quatro tendões do músculo flexor profundo dos dedos e um tendão do músculo flexor longo do polegar.

A compressão destas estruturas, sobretudo do nervo mediano, é o que vai causar os sintomas da síndrome do túnel do carpo que explicaremos mais adiante.

 

O que causa a síndrome do túnel do carpo (STC)?

Por muito tempo achava-se que o uso excessivo da mão era a principal causa para síndrome do túnel do carpo! Hoje sabemos que a causa mais comum desta inflamação são as condições médicas (doenças) que provocam indiretamente o inchaço na região do punho, estreitando o túnel do carpo e comprimindo o nervo. Algumas das doenças mais frequentemente associadas à síndrome do túnel do carpo são:

Diabetes

Doenças na tireóide

Obesidade

Insuficiência renal

Retenção de líquidos por gravidez ou menopausa

Pressão alta (hipertensão arterial)

Doenças auto-imunes, tais como artrite reumatóide

Fraturas ou traumatismos do punho

A síndrome do túnel do carpo pode ser agravada se o pulso é sobrecarregado repetidamente. Movimentos repetidos podem contribuir para inchaço e compressão do nervo mediano. Alguns exemplos de movimentos/comportamentos que podem piorar os sintomas da síndrome:

Mal posicionamento dos punhos ao usar o teclado ou o mouse.

Exposição prolongada a vibrações resultantes da utilização de ferramentas manuais ou elétricas.

Qualquer movimento repetido que extenda ou flexione os seus punhos, como tocar piano ou digitar.

Dormir em posições de hiperexensão ou hiperflexão do punho, ou posições que comprimam a mão.

 

Síndrome do túnel do carpo é uma doença comum?

A síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia (doença do nervo) de origem compressiva mais frequente, ocorrendo em cerca de 1% da população geral. Os pacientes que sofrem com esta doença são predominantemente do sexo feminino, numa proporção de 4 mulheres para 1 homem, geralmente na faixa etária entre 40 e 60 anos. Em cerca de 50% dos casos, a STC é bilateral, iniciando-se na mão dominante (destro ou canhoto), na qual os sintomas geralmente são mais intensos.

 

O que a pessoa com síndrome do túnel do carpo sente?

As manifestações iniciais são dor, queimação, formigamento e dormência na mão, que ocorrem no território da mão pelo qual o nervo mediano é responsável (ver figura).

Geralmente estes sintomas começam leves e vão se agravando de forma lenta e progressiva. De forma clássica, os sintomas acentuam-se no período noturno, por vezes de forma intensa, chegando a acordar o paciente. Movimentos repetitivos (por exemplo: digitar, costurar, tricotar, escrever etc.) podem piorar muito os sintomas. Alguns pacientes relatam alívio parcial da dor ao “chacoalhar” a mão.

Quando a doença progride podemos ter outros sintomas, como perda de sensibilidade e da força das mãos. É comum nesta fase os pacientes relatarem choques frequentes nas mãos, dizerem que não tem força para apertar a mão e deixam os objetos caírem da mão sem querer. Quando a evolução é longa e associada à compressão severa do nervo, pode ocorrer atrofia de algumas partes da mão.

 

Como fazer o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo (STC)?

Em primeiro lugar o médico pergunta sobre a história da doença e dos seus sintomas, se você em outras doenças associadas e vai entender melhor como é sua dor. Depois realiza-se o exame físico e neurológico da sua mão, onde alguns testes provocativos podem ser realizados. Estes testes visam ajudar a diagnosticar a síndrome do túnel do carpo, e desses testes, o de Phalen é considerado um dos mais sensíveis, sendo positivo em cerca de 80% dos pacientes. Esse teste, que consiste na manutenção do punho em flexão completa por 30 a 60 segundos, e quando positivo, reproduz os sintomas que o paciente se queixa.

Após a consulta o médico poderá solicitar exames complementares que julgue necessário para confirmar o diagnóstico. O exame mais comumente pedido é a eletroneuromiografia. Embora as alterações na eletroneuromiografia (ENMG) sejam consideradas importantes na definição da STC, esse exame pode ser normal em cerca de 5 a 8% dos pacientes com esta síndrome. Os exames de imagem, como raio x, ultrassonografia e ressonância magnética, são indicados apenas quando há uma apresentação atípica, com dor incaracterística, ausência de piora noturna ou suspeita de fratura, tendinite e/ou tenossinovite associadas.

 

Toda síndrome do túnel do carpo se trata com cirurgia?

De jeito nenhum! Primeiro sempre tentamos um tratamento conservador, e muitos pacientes respondem a esse tratamento e acabam não precisando de cirurgia. O que fazer então? É preciso acompanhar com um médico especialista, que fará as orientações corretas para o seu tratamento. Algumas das orientações que frequentemente são dadas aos pacientes são:

Dê um tempo para sua mão! – Não digite, costure, tricote, ou faça qualquer atividade repetitiva com as mãos por muito tempo seguido sem tirar um descanso. Neste descanso movimente as mãos, chacoalhando e abrindo e fechando os dedos para que o sangue circule. Recomenda-se uma pausa de cerca de 5 minutos a cada hora.

Pode ser recomendado algum medicamento para auxiliar o tratamento por via oral, como analgésicos, anti-inflamatórios e corticoides.

Uso de tala – o uso de tala deve ser muito bem orientado pelo seu médico. Geralmente recomenda-se o uso de tala noturna e de alguns períodos durante o dia. Não recomendo que se compre e use tala sem a orientação profissional do seu médico.

Fisioterapia direcionada para as mãos

Tratamento das doenças associadas – tão importante quanto tratar do túnel do carpo é tratar das doenças relacionadas já citadas que podem agravar esta condição.

Em casos mais refratários pode-se recomendar uma injeção de corticoide na região do punho para aliviar a inflamação.

 

E se nada ajudar? Tenho que operar?

Se os tratamentos conservadores propostos pelo seu médico não forem eficazes para tratar sua dor, ou ainda se já existir evidências de gravidade da doença como perda de força e de sensibilidade na mão, o tratamento cirúrgico poderá ser indicado para você.

 

Como é feita a cirurgia do túnel do carpo?

O objetivo da cirurgia do túnel do carpo é aliviar a pressão no nervo cortando o ligamento que está pressionando o nervo mediano. A cirurgia pode ser realizada com duas técnicas diferentes:

1. Cirurgia endoscópica – O cirurgião usa um dispositivo com uma câmera minúscula unida a ele (endoscópio) para ver dentro de seu túnel carpal. Ele então corta o ligamento através de uma ou duas pequenas incisões em sua mão ou pulso. É uma cirurgia minimante invasiva que realizamos rotineiramente. A cirurgia endoscópica pode resultar em menos dor do que a cirurgia aberta nos primeiros dias ou semanas após a cirurgia.

2. Cirurgia aberta – Neste caso o cirurgião faz uma incisão na palma da sua mão sobre o túnel do carpo e corta o ligamento para liberar o nervo. Geralmente nós reservamos esta opção para casos em que a técnica endoscópica falhou ou não foi possível ser realizada por alguma dificuldade anatômica.

 

Quanto tempo devo ficar afastado das minhas atividades profissionais?

Muitos pacientes se preocupam se terão que ficar muito tempo afastados após a cirurgia. Sabemos que durante o processo de cicatrização após a cirurgia, os tecidos do ligamento crescem gradualmente de volta juntos, permitindo mais espaço para o nervo. Este processo de cicatrização interna geralmente leva vários meses, mas a pele cura em poucas semanas.

O tempo de afastamento depende da mão operada (dominante ou não), da atividade que o profissional exerce e da cicatrização da própria cirurgia. Somente o médico que operará o paciente conguirá determinar o tempo de afastamento, uma vez que ele pode ser extremamente variável.

 

Quando procurar um especialista?

Sempre que você sentir dor ou sensação de choques e formigamentos nas mãos você deve procurar um especialista. Os especialistas que estão mais treinados para tratar esta doença são os neurocirurgiões, ortopedistas e cirurgiões da mão.

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* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.
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