Tipos de Gliomas no sistema nervoso

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O que é um glioma?
          Os gliomas cerebrais, ou neoplasias gliais, são um tipo específico de câncer do sistema nervoso, que pode acontecer no cérebro e na medula (que se localiza dentro da coluna). Esse tipo de tumor é causado por células chamadas de “células da glia”, que compõem o tecido nervoso e ajudam o neurônio a exercer suas funções. Elas células são classificadas de acordo com sua função e forma e recebem nomes especiais: astrócitos, oligodendrócitos, etc.
 
Como os gliomas são classificados? Quais são os graus do tumor?
          Os gliomas são classificados primeiro em relação as células da glia que os compõem. As células chamadas astrócitos causam os tumores chamados de astrocitomas, os oligodendrócitos os oligodendrogliomas, e a assim por diante. Em segundo lugar são classificados por grau de agressividade, uma classificação da WHO (World Heath Organization, ou organização mundial de saúde) que varia geralmente de 1 a 4, sendo quanto maior o número mais agressivo é o tumor.
 
          É importante lembrar que essa classificação é histológica, ou seja, um pedacinho do tumor tem que ser retirado e analisado no microscópio por um médico patologista para que seja dado o diagnóstico correto. Pela experiência do neurocirurgião e do radiologista através de exames de imagem (como a ressonância magnética) podemos apenas “supor” que tipo de tumor se trata, mas a certeza mesmo só vem com o diagnóstico anatomo-patológico.
 
Os gliomas cerebrais são frequentes?
          Os gliomas são os tumores intracranianos primários malignos mais comuns em adultos, correspondendo a cerca de 81% dos tumores cerebrais malignos que nascem no próprio sistema nervoso. Os tipos histológicos mais comuns são astrocitoma (graus I–IV) e oligodendroglioma (graus II–III).
 
Como esses tumores se dividem?
          Os gliomas mais comuns são os astrocitomas, que se classificam em:
 
1. Glioma de baixo grau ou neoplasia glial de baixo grau (Tumor grau 1 e grau 2)
          a. Astrocitomas pilocíticos (Tumor grau 1): Um tipo de astrocitoma circunscrito, mais limitado, freqüentemente com uma porção cística. O nome pilocítico se relaciona a uma característica histológica do tumor. Astrocitomas pilocíticos tendem a ocorrer nas duas primeiras décadas de vida, mas há exceções. Mais de 75% ocorrem antes dos 20 anos, com pico entre 8 e 13 anos. É o glioma mais comum em crianças. Correspondem a 10% dos astrocitomas cerebrais e 85% dos cerebelares.
          b. Astrocitomas difusos (tumor grau 2): Como o nome indica, astrocitomas difusos são tumores mal delimitados, de bordas imprecisas, em que as células neoplásicas infiltram os elementos nervosos pré-existentes, inclusive neurônios. A falta de limites nítidos é aparente já nos exames de imagem e relaciona-se com pior prognóstico destes tumores em relação aos astrocitomas pilocíticos. Predominam em adultos, mas podem ocorrer em crianças.
 
2. Glioma de alto grau ou neoplasia glial de alto grau (Tumor grau 3 e grau 4)
          a. Astrocitomas anaplásicos (Tumor grau 3): É também um tipo de astrocitoma difuso, porém com características ainda mais agressivas do que o grau 2 e consequentemente com pior prognóstico.
          b. Glioblastoma multiforme (tumor grau 4): É o mais agressivo de todos os astrocitomas. Representa cerca de 45% de todos os gliomas. São mais frequentes em adultos por volta da 5ª década de vida (50 a 60 anos), mas como os demais subtipos, também podem ocorrer em crianças. Podem ter as mais variadas formas de apresentação na ressonância magnética. Clique aqui e saiba mais sobre esse tumor.
 
Os sintomas de quem tem um glioma cerebral são iguais aos de outros tumores cerebrais?
          Sim, os gliomas cerebrais têm os mesmos tipos de sintomas que qualquer outro tipo de tumor no cérebro. Os sinais e sintomas dos gliomas dependem muito da sua localização. O paciente pode apresentar apenas sinais gerais como tontura, desequilíbrio, náuseas e vômitos e crises convulsivas. Entretanto, o sintoma mais frequente é a dor de cabeça, que em geral é progressiva, ou seja, vai se tornando mais forte e mais difícil de melhorar com uso de analgésicos (exemplo: dipirona, dorflex, neosaldina, etc) ao longo dos dias. Em fases mais avançadas essa dor de cabeça se associa frequentemente a vômitos e confusão mental, além de alterações neurológicas como fraqueza de um lado do corpo (braço e/ou perna). Dependendo do local do cérebro que ele compromete pode apresentar sinais mais específicos como dificuldade de fala, dificuldade de visão, dormências, etc.
 
Como é feito o diagnóstico do glioma cerebral?
         Da mesma forma que qualquer outro tumor cerebral, o diagnóstico é feito de início com exames de imagem, sendo a ressonância magnética o melhor exame para avaliação pela riqueza de detalhes. A tomografia pode também visualizar o tumor, mas optamos sempre por realizar uma ressonância, pois além de mais detalhada, podemos usar recursos como a espectroscopia e perfusão do tumor (exclusivos de ressonância) para termos mais pistas de qual subtipo de glioma se trata e de sua agressividade e programar melhor a cirurgia. O diagnóstico de certeza mesmo só será dado após a retirada cirúrgica do tumor e sua análise pelo médico patologista, que confirmará seu subtipo e grau.
 
Você teve um diagnóstico de “provável” glioma pela ressonância, o que fazer?
          Esse diagnóstico obviamente causa muita ansiedade no paciente. Em primeiro lugar você deve procurar um neurocirurgião. Frequentemente os pacientes chegam ao consultório querendo saber que subtipo de glioma é, se vai ou não precisar fazer quimio ou radioterapia, etc. Mas calma! Neste momento não é possível definir nada disso... Em primeiro lugar, o neurocirurgião avaliará em conjunto com o paciente qual a melhor estratégia de tratamento para abordagem do tumor e confirmação do diagnóstico. Pode ser tentada sua retirada total, subtotal ou apenas biópsia, dependendo da sua localização e riscos/sequelas que a ressecção desse tumor pode causar. Essas opções são discutidas com o paciente e o neurocirurgião pode usar, caso julgue necessário, diversos recursos tecnológicos como fluorescência, neuronavegação, monitorização eletrofisiológica etc. para minimizar os riscos da cirurgia.
          Só após feito o diagnóstico histológico pelo patologista (após cirurgia ou biópsia) é que devemos discutir, em conjunto com a equipe de neurooncologia, a necessidade de acompanhar apenas, fazer quimioterapia e/ou radioterapia. Conforme já explicado antes, é só a partir deste momento que podemos ter a certeza do diagnóstico.
 
 
Quanto tempo de vida os pacientes com glioma tem? Glioma cerebral tem cura?
          Creio que essa é a pergunta que eu mais escuto no consultório. Mas é importante lembrar que a literatura médica nos dá apenas uma estimativa da sobrevida destes pacientes. É fundamental que o paciente saiba que cada caso é um caso e muitas vezes seu familiar pode superar as expectativas, pois tudo depende de uma série de fatores, como tipo (glioma de alto grau ou de baixo grau), tamanho, localização do tumor, idade de diagnóstico e resistência individual de cada um. Em média, de acordo com os trabalhos científicos, temos:
 
Astrocitoma pilocítico: caso haja ressecção total pode haver a cura, mesmo sem curar 95% dos pacientes sobrevivem 10 anos ou mais.
 
Astrocitoma difuso: cerca de 40% das pessoas sobrevivem 10 anos ou mais.
 
Astrocitoma anaplásico: cerca de 6% das pessoas sobrevive 5 anos ou mais.
 
Glioblastoma multiforme: a sobrevida média varia de 6 meses a 2 anos.
 
 
           Os dados acima são apenas estatísticos e as tecnologias estão em constante avanço para melhorar a sobrevida e qualidade de vida dos nossos pacientes. Sempre procure seu neurocirurgião para saber melhor do prognóstico da doença.
 
          Você pode aprender mais sobre os tipos de gliomas e outros tumores cerebrais lendo outros artigos aqui
 
 
 
 
* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.
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